sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Iniciando www.qualidadeurbana2.blogspot.com

Espero que esse recurso ( de criar um novo blog) permita mais velocidade de acesso pois o outro está demorando muito, muito a abrir.
Neste primeiro texto, vou tentar trazer um dialogo que tive no e-mail do IAB COSU com um colega. Se não conseguir agora, fica para outra oportunidade, ok?
Consegui. Eis o texto. Refere-se à proposta de implantar várias pistas expressas ao longo das marginais do Tietê, feita pelo governo estadual, e que se encontra na fase de Audiencia Publica. O IAB prepara-se para uma dessas audiencias e mencionou o meu texto.

Fábio, bom dia.

Essa questão de ampliar a capacidade viária das Marginais do Tietê já teve várias tentativas. Realmente, as marginais e o próprio Tietê canalizado é em si uma obra de grande impacto, e como você bem coloca, de impacto metropolitano.

Conseguiram, com essa obra, transformar uma barreira natural, transponível por obras e meios descomplicados, em uma barreira urbana de difícil e complicada e arriscada transposição.

A transposição requer a passagem sobre o rio, com toda sua largura, as diversas pistas das marginais e, no caso do trecho de Guarulhos, uma via férrea.
Ainda nesse trecho, o Parque Ecológico do Tietê, conceitualmente bem pensado pelo colega Ruy Ohtake, colocando a pistas distantes das margens do rio, o Tietê e suas margens e vegetação ciliar, que deveria dialogar com a população guarulhense local, fica isolada pelas barreiras da Rodovia Dutra e Rodovia Ayrton Senna da Silva.

Deveria sim, existir um grande parque linear ao longo do rio, e espaço para canais lateriais que pudessem tratar a poluição difusa, que representa algo em torno de 25% da poluição lançada no rio. Sem essa barreira de despoluição, o rio estaria ainda poluido após todo o tratamento de 100% dos esgotos, domicilar e industrial contribuintes.

Voltando à questão das pistas, o Estado novamente investe em soluções que prioriza ganhos politicos em primeiro lugar, e em segundo os problemas urbanos prioritários.
Acrescente-se que além do ganho politico, que tem como meta as eleições e a continuidade no Poder, seja de pessoas ou do Partido, e que ocorre de tempos em tempos, os interesses dos politicos já no Poder é de ganhos pessoais, e de interesse dos que investiram em campanhas politicas.
As obras surgem, motivadas pelas necessidades da população, apenas como um motivo para justificar os gastos publicos.
Gastos que às vezes tem endereço certo e quantias certas.
Com as concessões publicas, os governos vendem demandas de consumo publico.
Passa a solução dessas obrigações para empresas que investem em negócios com lucro certo, pois teem em mãos o que se chama em marketing, de publico consumidor cativo ( ou escravo, sem outra opção).
Concessões rodoviárias em muitos países, como os EUA ( nosso modelo, apenas no que convém aos politicos), só podem ser feitas como rotas alternativas ( tendo outra rodovia gratuita para uso dos que não queiram vias pedagiadas), o que não é o nosso caso.
Por exemplo, as Rodovias Anchieta e Imigrantes são pedagiadas, e não se oferece alternativa gratuita.
Ainda em relação a outros paises, muitas vias pedagiadas foram inteiramente financiadas pela iniciativa privada, que depois recupera seu capital investido e aufere os lucros atraves da cobrança de pedagio por um periodo longo, em torno de 30 anos.
No nosso caso, a maioria das concessões é feita sobre rodovias já construidas, tirando assim uma das grandes vantagens ( para o Governo, e portanto para a população) que é a de poder utilizar o dinheiro da construção de rodovias para outros usos, onde o governo precisa administrar diretamente, ou que não existe demanda para ser explorada pela iniciativa privada.

E aqui coloca minha critica à ampliação do numero de pistas da marginal, pois isso apenas reforça a sua condição de vias estruturadoras urbanas, atraindo ainda mais polos de geração de tráfego, que são empreendimentos de grandes áreas, portanto acentuando ainda mais a ação obstacularizadora de acesso da população às margens do rio e ao parque linear.
O formato das marginais Tietê e Pinheiros que formam uma figura invertida de uma interrogação é totalmente inadequada como via estruturadora metropolitana, e desde décadas atras já deveria ter sido iniciada a construção de rodovias urbanas metropolitanas.
Algo como a grande malha pensada, se não me engano, no PUB, 40 anos atras.

Na media que as marginais deixarem de ser rodovias urbanas estruturais metropolitanas, as suas margens poderão voltar a ser acessadas pela população e transformadas em um longo parque linear metropolitano.
É preciso repensar as rodovias, mas é também preciso repensar os transportes de pessoas e de cargas, menos em função dos interesses das transportadoras de pessoas e cargas, mas em função das necessidades dos usuários e da redução do tempo de viagem.
Mas essa questão é outra grande e longa discussão.

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