segunda-feira, 20 de abril de 2009

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Luiz Henrique Dias da Silva, escritor e estudante de arquitetura tem textos interessantes mesclando a visão da descoberta da arquitetura e urbanismo com o seu olhar de cidadão politicamente participativo.



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Sábado, 18 de Abril de 2009
CAMINHANDO POR FOZ
* Texto escrito para o Jornal A Gazeta do Iguaçu de 20 de abril de 2009.

* Agradecimento especial para a doce Renata: fonte de ideias, sonhos e inspirações.
Tardes na Avenida Paraná

Faça o teste, amigo leitor. Pare na calçada da Avenida República argentina, na pista que liga o JL Shopping ao centro, em frente ao Hotel Bella Itália e, por um leve instante, feche os olhos. Ok? Bom, agora abra os olhos e vá caminhando em direção a Avenida Paraná. Você vai percorrer cinqüenta metros de puro desconforto: de um lado aquele muro da Vila Militar e a sua frente carros, motos, ônibus e o congestionamento normal do cruzamento da Paraná com a República. Ao chegar à esquina dobre a esquerda e observe como a vista vai ficando mais clara e parece que o barulho vai sumindo (apesar de ainda estar ali) e, à medida que você faz o trajeto da calçada vai surgindo um oásis urbano que já citei diversas vezes aqui: aquela pista de caminhada da Paraná. Uma das mais felizes intervenções urbanas que eu já vi em nossa cidade. A sombra produzida pelas copas das árvores, o cheiro da grama e o ar que vem de dentro da mata (isso quando não aparecem alguns quatis) produz um bem estar incrível e nos faz esquecer que, há poucos metros, ali na avenida, passam centenas de carros por hora e em alta velocidade. Caminhando por lá, esquecemos da vida, dos afazeres, do estressante telefone celular e chegamos a ter, por um momento, pena dos que estão dentro dos carros, se deslocando sem poder olhar a paisagem e sem poder sentir os cheiros que ali existem.







Estas sensações que você vai experimentar foram descritas pelo arquiteto Francês Charles-Edouard Jeanneret (conhecido como Le Corbusier) como sendo o princípio do caminhamento. Quando as paisagens vão surgindo a frente do homem. Faço a transcrição dos escritos de Le Corbusier aqui: “Nosso homem está munido de dois olhos, 1,60 metro acima do solo e olhando para frente. Uma realidade de nossa biologia suficiente para condenar muitos planos que se pretendem bons, mas que se sustentam sobre um eixo impróprio. Com seus dois olhos, olhando para a frente, nosso homem caminha, se desloca, entregue a sua ocupações, registrando assim o desenrolar dos fatos arquitetônicos (e naturais) que aparecem um depois do outro. Ele experimenta a emoção, fruto dessa comoções sucessivas (…) essa é o caminhamento”.
Por isso, caro leitor, faça o teste. Esqueça (por que não agora?) os seus afazeres e vá até a Avenida Paraná percorrer o caminho das árvores. Sinta o cheiro do mato. Veja os quatis e volte para casa cheio de sensações e histórias pra contar. Sem falar que faz um bem danado para a saúde do corpo e da alma.

Luiz Henrique Dias da Silva é escritor, estudante de Arquitetura e Urbanismo e comunista (convicto). Ele escreve todas as segundas aqui no Jornal A Gazeta do Iguaçu e, diariamente, em seu blog acasadohomem.blogspot.com , onde fala de suas impressões sobre a cidade de Foz do Iguaçu. Ele voltou a morar em Foz do Iguaçu há dois anos e, de lá pra cá, acabou engordando um pouco. Ele alega que “fora caminhar na Paraná e ir ao gramadão, não há muito o que fazer para se exercitar aqui em Foz”. E completa: “As pessoas na cidade, acham que lazer é ir comer em algum lugar e isso é um erro! Temos que criar mais espaços de lazer e convivência!”. O Luiz é um idealista e, como todos os idealistas, viaja na maionese.

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